Atividade

140760 - Cursos de verão da FFLCH 2026 - 'Nós' da memória na literatura de autoria negra e indígena

Período da turma: 07/02/2026 a 14/03/2026

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Descrição: Aula 1: Apresentação do curso e contextualização
A palavra como demarcação de território - um exercício de memória e construção de futuros em retorno ao ventre, de Jr. Bellé.
A aula apresentará o livro de poesia narrativa de Jr. Bellé, retorno ao ventre, no qual o autor busca reconstruir a memória familiar e coletiva a partir da escuta de sua tia Petrolina, que lhe revela a ascendência indígena apagada da história da família, reflexo também do apagamento indígena no estado do Paraná, onde se situa o livro. Por meio da obra, discutiremos a importância da palavra nos contextos indígenas e em que medida essa ferramenta se articula na luta por reconhecimento de direitos e demarcação de territórios.

Aula 2: Memórias de ontem e hoje na poética de Edimilson de Almeida Pereira
Neste encontro, serão discutidas questões relativas à religiosidade popular, saberes tradicionais e memórias familiares das populações negras brasileiras; bem como a produção de memória do tempo presente, a partir de temas como política e exílio. Para tanto, leremos poemas selecionados dos livros qvasi e Melro, ambos do escritor Edmilson de Almeida Pereira. Como aporte teórico para a aula, serão mobilizados conceitos de Leda Maria Martins e também haverá o diálogo com outras obras de cunho ensaístico e etnográfico do próprio Edmilson de Almeida Pereira.

Aula 3: Águas que vão, águas que vêm: apagamento e construção da memória
Nesta aula, conheceremos um pouco da escritora são-tomense Olinda Beja e de sua vasta produção literária e nos aprofundaremos em seu belíssimo caderno de poemas Água Crioula, que nos faz refletir sobre como os silenciamentos moldam a memória e a história. Refletiremos como a autora resgata um tempo que lhe foi roubado, recuperando lembranças familiares e tudo que deixou de viver da história e cultura de seu país. A partir da leitura de alguns poemas como Ancestralidade, Requiem ao mar do esquecimento e Ode ao tempo, identificaremos as marcas do tempo e da memória, construídas pelo olhar daquela que vivenciou a diáspora e compreendeu este fenômeno por um olhar íntimo e profundo.

Aula 4: Morrer de nostalgia: crônicas de uma escritora “afropeia”
Nesta aula, investigaremos como a escritora portuguesa Djaimilia Pereira de Almeida mobiliza a memória familiar, o arquivo íntimo e a experiência para pensar os deslocamentos como construção subjetiva, histórica e racializada. A partir da leitura comparada das crônicas “Morrer de nostalgia”, “Torre do tombo” e “A minha grande biblioteca são os meus antepassados” – todas publicadas na Revista 451 – discutiremos como a autora formula uma estética de perdas que opera em trânsitos entre Angola, Portugal e outros espaços da diáspora.

Aula 5: De linha e de rio: vozes de mulheres negras
A aula propõe uma reflexão sobre como a escrevivência é capaz de forjar narradoras que entrelaçam lirismo e pesquisa histórica para contar memórias familiares que se desdobram em lembranças de todos nós: as memórias de um país. O ponto de partida está bordado na apresentação do romance Apolinária, de Bianca Santana, de onde brotam os fios do rio São Francisco, que levam e trazem as histórias de mulheres negras que tecem vínculos entre passado e presente para semear futuros.


Referências

ALMEIDA, Djaimilia Pereira de. Pintado com o pé. Lisboa: Relógio d’água, 2019.
ALMEIDA, Miguel Vale de. Um Mar da Cor da Terra: Raça, Cultura e Política da Identidade. Lisboa, Celta, 2000.
ALMEIDA, Migual Vale de. Ninguém imagina de verdade um português negro. Portuguese Literary & Cultural studies (PLCS), v.35-35, p.32-41, 2021.
ASSMANN, Jan. Communicative and cultural memory. In: ERLL, Astrid; NÜNNING, Ansgar (Ed.). Cultural memory studies: an international and interdisciplinary handbook. Berlin; New York: De Gruyter, 2008. p. 109-118.
ANDERSON, Benedict. Comunidades imaginadas. Tradução Denise Bottman. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
BHABHA, Homi. O local da cultura. tradução de Myriam Avila, Eliane Livia reis, Glauce Gonçalves. Belo Horizonte, Editora UFMG, 1998.
BEJA, Olinda. Água Crioula. Coimbra: Pé de Página Editores, 2007.
BEJA, Olinda. Contos de São Tomé e Príncipe: histórias da avó Flindó. Itapira, SP: Estrela Cultural, 2023.
BEJA, Olinda. Kilêlê: a dança sagrada do falcão. Quissamã: Revista África e Africanidades; Lisboa: Rosa de Porcelana, 2023.
BEJA, Olinda. 15 dias de regresso. Coimbra: Pé de Página Editores, 2007.
BRASIL. Lei 11.645/08, de 10 de março de 2008. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2017. Disponível em: https://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 03 nov. 2025.
BUTLER, Judith; SPIVAK, Gayatri Chakravorty. Quem canta o Estado-nação?: língua, política e pertencimento. Tradução de Vanderlei J. Zacchi e Sandra Goulart Almeida. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2018.

Carga Horária:

16 horas
Tipo: Obrigatória
Vagas oferecidas: 90
 
Ministrantes: Bruno Barra da Silva
Isabel Cristina Furtado de Medeiros Sampaio
Lucas Breda Magalhães
Maria Paula de Jesus
Nara Lasevicius Carreira


 
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